sábado, 29 de novembro de 2008

Uma intrigante frase de Guimarães Rosa...


"Quando nada acontece,
há um milagre que não estamos vendo."

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Credos e pensamentos de Luiz Alves

Credos e pensamentos
de Luiz Alves

Eu penso que o que eu penso não importa,
pois a verdade faz curvas e voltas
em torno do mesmo ponto de interrogação...
Eu penso que o que eu penso é só meu,
mas eu digo meus pensamentos
como todos dizem os seus
pois cada um tem a sua própria opinião...
Eu penso que o que eu penso
não pode ser imposto
pois a minha verdade é diferente das dos outro
se ninguém tem a resposta concreta nas mãos...
Eu penso que o que eu penso é pensamento,
por isso não tem certeza
nem fundamento,
pois o universo é maior do que a razão...

Marinho Exposição Mercedes Viegas 2008










Marinho Exposição O SER 2005 A Gentil Carioca




segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Leonardo Da Vinci, o maior gênio da humanidade, ninguém ainda chegou aos seus pés. Precisamos revê-lo. Ler suas preciosas anotações. Aprender com ele.

Cabeça de Mulher (La Scapigliata)
Leonardo da Vinci, 1490 ou 1508
Pintura sobre madeira
24 cm × 21 cm cm
Galleria Nazionale,Parma

Vou citar o que Leonardo Da Vinci escreveu sobre os médicos em suas anotações. Não poderia ser + atual. E ele não presenciou o advento dos planos de saúde, a falta de ética médica, o cifrão na frente, o corporativismo, a sucatização da medicina no nosso país, mas pelo visto a questão é universal e atemporal:

"Every man wishes to make money to give to the doctors, destroyers of life; they therefore ought to be rich.

Learn to preserve your health; and in this you will the better succeed as you shun physicians because their drugs are a kind of alchemy about which there are no fewer books than there are medicines.

Medicine is the restoration of discordant elements; sickness is the discord of elements infused into the living body.

Make them give you the diagnosis and treatment for the case from the saint and from the other and you will see that men are elected to be doctors for diseases they do not know." p.278-279

Poema de Adriana Monteiro de Barros

Refluxo
Para Clarice Niskier

Não aprendi a me conter.
Ainda vazo. Infiltro.
Ainda derramo.
Deságuam em mim correntezas.
Mar aberto. Rios sem margens.
Viver é ato contínuo.
Forma de eternizar o presente.
E há muitas formas.
Todas elas me cabem.
Todas elas existem.
Umas desfolham. Outras me vestem.
Umas, outono. Outras, inverno.
Certas estações me vertem, sendo água.
Certas pessoas me transpiram, sendo quentes.
Acho que meu fluxo brota em letras.
Depois de escrever, eu jorro para o mundo.

domingo, 23 de novembro de 2008

Ternura


foto luliX pandaglia

Temporal de Adriana Monteiro de Barros

Tempestades não são boas conselheiras.
Em geral, deprimem o retrato.
Melhor esperar a cachoeira cumprir seu destino.
Afinal, a poesia aquece o pensamento sob os lençóis.
As borboletas ainda se debatem contra as vidraças
molhadas
e as orquídeas teimam em colorir a paisagem pelas
janelas.
Em dias de tempestade, meus olhos chovem.
Choram e chovem todas as lágrimas que agora caem
lá fora.
Meus olhos ainda insistem em chorar.

Trecho do livro A felicidade, desesperadamente de André Comte-Sponville

" 'Como eu seria feliz se fosse feliz!' Está fórmula de Woody Allen talvez diga o essencial: estamos separados da felicidade pela própria esperança que a persegue. A sabedoria, ao contrário, seria viver de verdade, em vez de esperar viver. É aí que encontramos as lições de Epicuro, dos estóicos, de Spinoza ou, no Oriente, de Buda. Só teremos felicidade à proporção da desensperança que seremos capazes de atravessar. A sabedoria é isso mesmo: a felicidade, desesperadamente. "

domingo, 16 de novembro de 2008

Crônica de Zuenir Ventura sobre as amendoeiras

«Rubem Braga, que fez da amendoeira uma de suas musas inspiradoras, dizia que elas são "árvores desentoadas". Nunca estão de acordo entre si. Não se vestem nem se despem por igual. A da esquina ainda está frondosa, cheia de viço, mas a sua vizinha parece uma decoração de Copa do Mundo: há tantas folhas verdes quanto amarelas. De cima, posso jurar que alguém, ou ela mesma, as arrumou assim, pregando nos galhos folha por folha. (...)Um dia liguei para o Velho Braga perguntando como isso acontecia. Ele não usava as plantas apenas para fazer crónicas poéticas. Era amante e também um grande conhecedor de sua alma e humores. (...) A resposta foi que as amendoeiras eram como a gente: cada uma envelhecia com a idade, conforme o dia de nascimento - com a vantagem, bem entendido, de que a cada ano fenecem, mas também renascem. A partir de então continuo olhando para as amendoeiras da rua com carinho, mas também com inveja. Fiquei imaginando como seria chegar todo o ano a junho, mês em que nasci, um lixo: cabelo caindo, pele enrugada, gordura na cintura, tudo despencando. Como hoje. Aí me refugiaria em casa e hibernaria, aguardando a muda. Um ano depois, que fosse em agosto, ou setembro, faria minha rentrée triunfal, novinho em folha. (...)Se pudesse inscrever um sonho no rascunho do genoma, para constar do texto final, não seria o da imortalidade. Nada de estender a vida, como muitos desejam. Se eu pudesse escolher, eu preferiria esticar a juventude.»Zuenir Ventura, Melhores crônicas (2004)
Publicada por Maria Carvalho em 10.2.08

Amendoeiras podem mudar a nossa percepção ou Amendoeiras lisérgicas se banham ao luar da Rainha da Bélgica fotos e interferências luliX pandaglia










Um outro ponto de vista

sábado, 15 de novembro de 2008

Eu não sei p q te amo... de Theodora Speranza




Toscana, 15 de novembro de 2008

Querido amigo Leonardo Da Vinci Uno,

Eu não sei p q te amo...

Se vc não me quer "mal me quer", se afasta de mim, bem me quer!
Se me quer como amiga tem que ter delicadeza, beleza, diversão, companherismo, cuidado, gentileza, humor, amor, admiração, elogios...
Se não, não dá!
A vida só tem sentido para mim sendo assim de verdade. Sou exagerada "jogada aos teus pés..."
Sabe, meu amor tranqüilo, meu amigo, quando estou com vc sinto paz e segurança e quando se vai volto a andar na corda bamba. Isso dá samba! rsrsrs
Amizade é amor, amor é construção e isso leva tempo...
Estamos no início e ao mesmo tempo num impasse. Eu quero te beijar, abraçar, enchê-lo de beijos e carinhos, dançar, trocar, me divertir. O que vc quer de mim Leonardo? Me responde sendo honesto consigo mesmo e delicado comigo. É somente sexo e amizade? Apenas amizade? Amor, sexo e amizade? Ou nenhuma delas?
Se vc me quiser sou assim intensa e romântica.
Aguardo em meu castelo na Toscana um bouquet de flores com um cartão de amor de perder o fôlego...
Assim como Cherazade, sobrevivo contando histórias a cada mil e 1 noites.

Bjs,
Theodora é a última que morre! Hahahaha

Baga Cine apresenta o poema Aonde foi que tudo começou?

Poema Patético de Carlos Drummond de Andrade

Que barulho é esse na escada?
É o amor que está acabando,
é o homem que fechou a porta
e se enforcou na cortina.

Que barulho é esse na escada?
É Guiomar que tapou os olhos
e se assoou com estrondo.
É a lua imóvel sobre os pratos
e os metais que brilham na copa.

Que barulho é esse na escada?
É a torneira pigando água,
é o lamento imperceptível
de alguém que perdeu no jogo
enquanto a banda de música
vai baixando, baixando de tom.

Que barulho é esse na escada?
É a virgem com um trombone,
a criança com um tambor,
o bispo com uma campainhia
e alguém abafando o rumor
que salta de meu coração.

Exposição das fragilidades de todos nós, humanos, absolutamente humanos... Cuidado! Conteúdo frágil.